Início Blog 10 erros comuns no currículo e como evitá‑los
Voltar aos artigos
ResumeQuill · Erros

10 erros comuns no currículo e como evitá‑los

Até candidatos experientes erram. Veja 10 erros comuns e como corrigi‑los.

4 de fevereiro de 202612 min de leitura
FormataçãoErros de digitaçãoTamanhoATSContato
10 erros comuns no currículo e como evitá‑los
Um bom currículo é claro, estruturado e honesto.

A maioria dos currículos não é recusada por o candidato ser fraco. É recusada porque a página faz um bom candidato parecer descuidado, vago e difícil de ler — e cada uma dessas impressões nasce de um defeito corrigível e não de uma qualificação em falta.

Seguem-se os dez erros que os recrutadores mais veem, cada um com a respetiva correção, e depois uma rotina de revisão, uma verificação final e as diferenças por país que decidem quais destas regras se aplicam a si.

O essencial

  • A maioria dos currículos não é descartada por falta de experiência, mas por defeitos evitáveis: gralhas, funções vagas, um muro de texto, um ficheiro ilegível.
  • Uma lista de atribuições diz o que a função exigia. Uma conquista diz o que você mudou. Só a segunda compete.
  • Tudo o que não conseguir defender cinco minutos numa entrevista é um risco, não um argumento.
  • Abra o ficheiro no telemóvel antes de enviar: metade dos problemas de paginação só aparece aí.
  • A melhoria mais rápida para a maioria dos candidatos é apagar, não acrescentar.
Conteúdo
10 erros e como evitar
Revisão e correção ortográfica são essenciais.

10 erros e como evitar

10
1

Gralhas e erros de gramática

Um cargo mal escrito ou uma frase partida sinalizam descuido antes de ser lida uma única conquista, e é o defeito que os recrutadores mais citam ao explicar porque pararam de ler.

Como evitar: Reveja em várias passagens, leia o texto em voz alta e peça a outra pessoa para verificar: o corretor não deteta uma palavra bem escrita mas errada.
2

Atribuições em vez de conquistas

«Responsável pelas redes sociais» descreve o descritivo de funções, não você. Qualquer outro candidato à mesma vaga escreve a mesma linha, por isso ela não transporta informação.

Como evitar: Reescreva cada tópico como uma ação com resultado: o que fez e o que mudou por causa disso, com números onde existam.
3

Um currículo enviado para tudo

Um ficheiro genérico não encaixa particularmente bem em anúncio nenhum. O recrutador nota de imediato que o resumo fala de uma função diferente da anunciada.

Como evitar: Mantenha uma versão base e ajuste o resumo, a lista de competências e a ordem das conquistas em cada candidatura: dez minutos por anúncio chegam.
4

Nenhum número

Sem números o leitor não tem como avaliar a escala. «Melhorei o processo» tanto pode ser uma hora poupada por ano como um departamento de trinta pessoas reorganizado.

Como evitar: Acrescente escala a pelo menos três tópicos: orçamento, equipa, volume, percentagem, prazo. Números aproximados mas honestos valem mais do que nenhum.
5

Adjetivos sobre si próprio

«Responsável, dinâmico, com vontade de aprender» aparece em quase todos os currículos, e é por isso mesmo que não convence ninguém. Descrever-se não é provar.

Como evitar: Apague os adjetivos e deixe as conquistas demonstrá-los. Uma linha sobre uma entrega cumprida no prazo prova resistência melhor do que a palavra.
6

Períodos por explicar

Um vazio mudo de dois anos convida à pior suposição possível. O problema raramente é a pausa e é sempre a ausência de explicação.

Como evitar: Nomeie o motivo numa linha — formação, apoio à família, saúde, mudança de país, um projeto que não resultou — e siga sem desenvolver.
7

Uma paginação que o analisador não lê

Tabelas, duas colunas, texto dentro de imagens e fontes decorativas são mal lidos pelos sistemas de triagem, e o recrutador recebe um perfil baralhado ou meio vazio.

Como evitar: Componha numa coluna com títulos comuns, exporte um PDF com camada de texto e confirme que o texto pode ser selecionado antes de enviar.
8

Excesso de dados pessoais

Estado civil, números de documento, morada completa e data de nascimento nada acrescentam à decisão e, em vários países, criam um problema legal à empresa que os recebe.

Como evitar: Deixe nos contactos nome, cidade, telefone, e-mail e um link profissional. O resto só se o anúncio pedir expressamente.
9

E-mail ou nome de ficheiro pouco profissional

Uma alcunha e um ficheiro chamado «cv_final_2.pdf» são pormenores, mas chegam antes da sua experiência e definem o tom de tudo o resto.

Como evitar: Use um endereço com nome e apelido e dê ao ficheiro o seu nome e a função a que se candidata.
10

Exagero que não sobrevive a uma pergunta

Um cargo inflacionado ou uma ferramenta sobre a qual apenas leu aguenta até à primeira pergunta técnica, e perder credibilidade a meio da entrevista custa muito mais do que não ser convidado.

Como evitar: Liste apenas aquilo sobre que conseguiria falar cinco minutos. Reforce o mais sólido do que é verdade em vez de inventar.

Como rever um currículo para que os erros apareçam mesmo

Ninguém vê os próprios erros no mesmo ecrã onde os escreveu. Ao reler o seu texto, o olho repara o que está partido e salta o que falta. Cinco passagens, cada uma à procura de uma só coisa, encontram muito mais do que uma leitura atenta.

  1. Deixe repousar uma noite

    É a distância que torna os erros visíveis. Um currículo relido vinte minutos depois de escrito ainda se lê como foi pensado, não como ficou escrito.

  2. Leia de trás para a frente

    Suba tópico a tópico desde a última linha. Sem o fio do argumento, o olho deixa de reparar as gralhas e começa a vê-las.

  3. Leia em voz alta

    Frases demasiado longas, lugares-comuns e palavras em falta ouvem-se mesmo quando não se veem. Uma linha difícil de dizer é difícil de ler.

  4. Verifique números e datas à parte

    Faça uma passagem só de números: períodos, percentagens, dimensões de equipa. Uma data errada é um problema de credibilidade, não uma gralha.

  5. Peça a outra pessoa para ler

    Pergunte a que vaga ela acha que se está a candidatar. Se a resposta não coincidir, a página tem um problema maior do que ortografia.

Depois abra o PDF final no telemóvel. Texto a transbordar, uma paginação a duas colunas que se desfaz e uma fonte não incorporada aparecem primeiro aí.

Checklist antes de enviar
Estrutura clara facilita a leitura.
Conclusão
Fatos verificáveis sempre vencem.

Checklist antes de enviar

  • Sem erros de ortografia ou gramática, verificado em pelo menos duas passagens e uma vez por outra pessoa.
  • A experiência e as competências respondem ao anúncio concreto, não à profissão em geral.
  • Pelo menos três tópicos trazem um número, um prazo ou um facto verificável.
  • A paginação está limpa no computador e no telemóvel, e o texto do PDF pode ser selecionado.

O que conta como erro depende do país

Vários pontos desta lista só são erros em alguns mercados. Antes de enviar um currículo para o estrangeiro, confirme que dados são esperados e quais fazem com que seja descartado.

Portugal

A foto é opcional e cada vez menos comum, mas incluir NIF, número de cartão de cidadão ou morada completa prejudica. As pretensões salariais vão na carta de apresentação, não no currículo.

Brasil

Dados como CPF, RG e estado civil são o erro mais frequente: além de desnecessários na triagem, a LGPD tornou as empresas mais cautelosas com informação pessoal em excesso. Indique cidade e disponibilidade em vez disso.

Estados Unidos e Canadá

O contrário: foto, data de nascimento ou estado civil podem fazer com que o ficheiro seja posto de lado por critérios antidiscriminação antes de ser lido. Ali «CV» designa um documento académico, não uma candidatura.

Alemanha e Áustria

O risco inverso: falta de foto, ausência de carta e períodos por explicar passam por descuido. Os certificados digitalizados são esperados em anexo e omiti-los é, em si, um erro.

Nada disto altera a substância da sua experiência. Altera que dados pertencem à página — que é exatamente a parte que os candidatos se esquecem de ajustar.

Conclusão

Quase todos os pontos desta lista se corrigem retirando em vez de acrescentando: um adjetivo de enchimento, uma atribuição que todos na função executam, uma página a que ninguém chega. O currículo fica mais forte à medida que encurta, até ao ponto em que as provas começam a desaparecer.

Percorra os dez erros no seu ficheiro atual e corrija apenas o que lá estiver mesmo. Meia hora desse trabalho muda mais o número de respostas do que outro mês a enviar o mesmo documento sem alterações. Boa sorte na procura!

Perguntas frequentes sobre erros no currículo

O que os leitores perguntam depois de percorrer a lista.

Uma gralha custa mesmo uma entrevista?

Raramente sozinha, mas nunca é neutra. Uma gralha em duas páginas parece um deslize; a mesma gralha no nome do cargo ou no seu próprio e-mail parece descuido precisamente com aquilo a que se candidata. O caro não é o erro, é a conclusão que se tira dele.

Usar um modelo com design é erro?

Só se o design atrapalhar o analisador. Cor, tipografia sensata e uma grelha limpa não são problema. Duas colunas para o conteúdo principal, texto dentro de imagens, ícones em vez de títulos e fontes invulgares são onde o modelo começa a perder informação a caminho do recrutador.

Devo indicar a pretensão salarial?

Só se o anúncio o pedir explicitamente. Um número dado antes de se perceber o seu valor ou o exclui ou o posiciona abaixo, e nenhuma das duas coisas ajuda. Quando é exigido, apresente um intervalo e coloque-o na carta de apresentação, não no currículo.

Até onde se pode embelezar?

Nada em factos verificáveis: cargos, datas, diplomas, ferramentas. Escolher que verdades destacar é legítimo e necessário. Mas uma linha inventada dura até à primeira pergunta técnica, e perder credibilidade nessa altura custa muito mais do que não ser chamado.

Um currículo longo é sempre erro?

A extensão é um sintoma, não a doença. Quatro páginas costumam significar atribuições em vez de conquistas, todos os cargos descritos com o mesmo detalhe e nada apagado em dez anos. Corrija isso e o ficheiro encurta sozinho; cortar páginas sem o fazer apenas distribui a perda de informação.

Como sei se o meu currículo é mesmo fraco?

Dê-o durante trinta segundos a alguém de fora da sua área e pergunte que trabalho procura e em que é melhor. Se hesitar, o problema é a página e não o mercado. Um currículo que não responde a estas duas perguntas em meio minuto também não responde em seis segundos.

Vitalii Zhelizniak

Vitalii Zhelizniak

Fundador da ResumeQuill

Desenvolve a ResumeQuill, um criador de currículos gratuito com modelos compatíveis com ATS e exportação em PDF sem registo. Escreve e revê os guias publicados aqui.

LinkedIn

Pronto para colocar estas dicas em prática?

Crie seu currículo — é grátis